O sequestro do guardanapo ou napkin kidnap ou a soneca da parentada

O sequestro do guardanapo ou napkin kidnap ou a soneca da parentada

She’s Just a kid. Ela é apenas uma criança, chorou a mãe da menina de 14 anos na tv. A tristeza nacional da vez. Seqüestraram a menina. Ele deve ter caído no sono. Tirado uma soneca. Thakeou a nap. Ela só queria ser famosa. Fazia aula de teatro. Só queria ser famosa. Uma criança doce. Só queria fazer novela. A parentada dormiu. The kin has thaken a nap em frente ao espelho que é o egoísmo (napkin). A prova de vida: um guardanapo borrado de lágrimas, batons e palavras desesperadas. Ela só queria ser famosa. Isso lembra a hora da estrela da Clarice Lispector, disparou um repórter. Crime hediondo. 3 semanas depois de muito chorou e vela. Reviravolta no caso: o guardanapo DNA dum primo. A polícia achou o “cativeiro”. Dormiram no ponto. Teicaram uma nap. Tava lá o mesmo tipo de guardanapo. Sequestraram o guardanapo. A menina só queria ser famosa. Forjou o próprio seqüestro com o primo. a parentada acreditou. Vivem sonhando. A soneca da parentada. O seqüestro do guardanapo. The napkin kidnap.



 Escrito por gustavo calenzani às 10h40 [   ] [ envie esta mensagem ]




eu acompanho meus amigos. eles são meu BBB de bar

criei uma teoria
como ta na moda ter blog
acho q todos aqui tem, inclusive
ano q vem não sei não mas acho q va rolar o BBBB
big brow brazil blog
 
qualquer nota parte foi pra cima do tudo certinho? entããão, ta bom... ela não gostava desse entããão, achava meio folgado. isso tudo foi logo na festa de inauguração.
 
elas ia e vinha puxando o cabelo uma da outra. uma bagunça infernal. uma putaria dos infernos, diria boninho num video que vazaria pro youtube.
 
quero te pegar sóbrio, bêbado como sempre, disse, são mulheres que amamos
e em seguida, defitinivo antes de dormir na espreguiçadeira: olha como essas women glow
bial no final danoite
visite o blog

e é tudo muito humilhante fica de fora porque, afinal, é tudo é muito humilhante...



 Escrito por gustavo calenzani às 10h50 [   ] [ envie esta mensagem ]




aconteceu, virou rede tv!

diabo rima com quiabo. Era o que tirava dona dionísia do sério. Não perdia uma missa. Ia começar a malhação e ela já tava lá no gargarejo do padre santiabo. Padre eu pequei. Fui fazer um angu com quiabo e pensei no diabo. Dona dionísia eu te avisei que o curso de poesia era coisa do coisa ruim. Mas padre santiabo, eu queimei os livros, mas não passa por nada. Toda vez que eu vou embora, rezo, mas no dia seguinte, depois de fazer minhas coisinhas lembro da missa do padre santiabo. Que nome diferente. E me vem um mundo de imagens na minha cabeça que nem sei que podia existir. 30 ave marias. Amém. A noite ela sonha com pão sendo amassado por quiabo com o padre sob luz vermelha rindo, rindo e rindo. Acorda suando e vai até a cozinha. Abre a geladeira, derruba a vasilha de angu com quiabo, escorrega, bate a cabeça. Só que o quiabo estava em cima do pão de forma que também cai, só que, enquanto ela caía abriu a boca num desespero. O pão entrou em sua boca. A manchete com sua foto morta no dia seguinte. Coitada, essa aí comeu o paão que o quiabo amassou.



 Escrito por gustavo calenzani às 15h44 [   ] [ envie esta mensagem ]




mentira de cristal

A mentira é um pote de açúcar que mora no céu da boca. Você já reparou que todo mundo antes de mentir engole seco? É pra não derreter o açúcar. A pessoa que precisa mentir, engole seco, passa a língua no pote e mente adocicada. Mas tem que ter cuidado: o pote tem perna curta e tomba fácil. Doce vicia, tem o perigo de querer mentir o tempo inteiro. Quando o açúcar vai acabando a pessoa fica nervosa, formiga que é. Morde os outros porque comer sal puro dói pro doceiro. Mentira deixa rastro, mas é só passar detergente que a formiga perde o caminho.



 Escrito por gustavo calenzani às 16h44 [   ] [ envie esta mensagem ]




pesado

Pesadelo é um monte de bicho microscópico que fica na sua sobrancelha o dia inteiro e registra tudo aquilo que você fecha os olhos. À noite o pesadelo, que é o elo pesado entre a noite e o dia entra em sua pálpebra. Formado em cinema no expressionismo alemão é esperto e sombrio. Inimiga número um do pesadelo é a corda com alho porque esse bichinho é vampiro. É o próprio nosferatu.



 Escrito por gustavo calenzani às 17h54 [   ] [ envie esta mensagem ]




engrenagem

 

A perda de tempo é pior que o relógio do pai do benjamin. Porque é tempo que não volta mais. A perda de tempo é um relógio enferrujado que dizia ser a prova d’água, mas parou de bater. A perda de tempo envelhece e não renova, dá pé de galinha knorr, mas não tem gosto bom, deixa o tempo amargo, cheio de trovoadas. Eu pensando aqui com meus botões, bem que o tempo poderia ser achado no metrô, lá nos achados e perdidos. Jogava-se no relógio e voltava as horas on sharp, right on time.



 Escrito por gustavo calenzani às 10h31 [   ] [ envie esta mensagem ]




um menor

 

Um cara pega um binóculo e sobe o morro escondido antes que o galo morra de sede no pentágono porque tem queijo no milho e a pipoca fica seca sem ajinomoto na manteiga o purê engasga na muzzarela amarela toca yellow do coldplay ele fica com frio de brincar no alto do morro o vento aumentado pelo binóculo dá a sensação térmica ainda menor.



 Escrito por gustavo calenzani às 11h58 [   ] [ envie esta mensagem ]




o medo

 

O medo é um bicho frio de chiclete que se esconde detrás da testa. Ele tem a forma de uma rédea e é do tamanho exato da pessoa sobre a qual ele age. Então ele se estica até o pé do sugeito e trava tudo. daí que vem a expressão paralisado de medo. A coragem não é mais do que uma tesoura sem ponta. Tem que cortar bem debaixo do pé e se mexer, mas o medo volta depois porque chiclete gruda que é uma coisa danada da peste.



 Escrito por gustavo calenzani às 18h26 [   ] [ envie esta mensagem ]




as quatro câmaras

 

john chegou correndo com o coração na boca. Quando espirrou o coração caiu no chão. Rapidamente seu amigo arrumou uma bateria. Ele teria que que fazer os batimentos no bumbo pra enganar o corpo enquanto os páramedicos não chegavam porque não dava pra enfiar o coração goela abaixo. Tum tum tum, tum tum, tum fazia o bumbo meio com disritmia. Depois da operação de reposição do coração john ficou com um problema na válvula mitral, coisa simples, um sopro inocente.



 Escrito por gustavo calenzani às 13h24 [   ] [ envie esta mensagem ]




no repeat

ele sentou à sua mesa e ficou olhando longe dos olhos da gente a mulher que viria a dar nome para sua filha e esposa respectivamente, mas ele ainda não sabia. Ela cantava mr. Bonjengles e ele se arrepiava porque não tinha outro jeito de ver as coisas. Viria a ser o último show dela no brasil, da nina, nome de sua filha que ainda não nascera. Ele via o senhor bonjengles dançando na cela enquanto ouvia a simone cantar, nome de sua mulher, que ainda não conhecera. eles que sempre viriam a dançar essa música na cozinha e enquanto suas mulheres morriam de rir, a nina e a simone.



 Escrito por gustavo calenzani às 15h54 [   ] [ envie esta mensagem ]




words

 

ela me disse que quando escreve nunca se preocupa em pô palavras na bocas dos personagens porque falas sempre são pensadas, que o mais importante é pensar na reação das personagens porque é aí que os leitores vão se identificar, é como ver a julia roberts no final de sorriso de monalisa com o corpo inteiro falando pra caralho, foi o que ela me disse, tem personagem que preenche a vida das pessoas, que as imagens transbordam muita coisa que não dá pra explicar. Eu mostrei uma foto de uma mulher olhando fixo para o nada o uma lágrima perto da boca e disse que se um dia isso acontecesse numa locação minha eu chorava junto porque é isso que é que prende. Não dá pra explicar. As palavras desaparecem e ficam as imagens, quero filmar mais em 2009.  a julie delpy  imita a nina simone , toca violão e o ethan hawk vai falar que sabe que vaio perder o avião.  ela vai pôr brincos no elevador  de fundo azul.



 Escrito por gustavo calenzani às 16h37 [   ] [ envie esta mensagem ]




terceiro ato

ele é médico e morre de medo de morrer. Sempre pergunta para os paramédicos e colegas do hospital quais são as últimas palavras de pacientes que não resistem. anota todas num caderno que troca todos os meses, ele que vê a morte tão de perto diariamente. Diz que são as palavras da morte. ele sempre tem uma frase para cada situação, começou a ficar neurótico e com medo de viver, sem perceber,  que as frases que ele tanto persegue são cheias de vida.



 Escrito por gustavo calenzani às 16h14 [   ] [ envie esta mensagem ]




foi assim

 

Ela se chama Meada, um nome excêntrico, mas a mãe adorava e ele detestava. Um dia ela conheceu um gatinho que riu quando ouviu seu nome, isso foi o fim pra ela, o fim da meada.



 Escrito por gustavo calenzani às 14h23 [   ] [ envie esta mensagem ]




sopro de vida

 

Ela foi ver a avó no hospital que havia apresentado uma evidente melhora no quadro clínico. Ela tinha os olhos vermelhos e as flores perto dos pés. Os olhos não ouviam mais o que o médico dizia. A avó sorrindo antes da operação era a imagem embaçada sobre o médico. Eu sinto muito. Ela sentiu frio na barriga e abraçou o próprio corpo para justificar a imagem que ela via de fora, é uma sensação dilacerante a morte, mesmo quando você a espera. Sua avó teve um sopro de vida, uma melhora para dizer adeus, ela não sentiu nada. A boca da neta tinha bolhas de saliva e o nariz mais bolhas. O que eu vou falar pra minha mãe, pensou enquanto a imagem da avó fugia para uma gaveta da memória e abria outra da mãe projetada no futuro. Foi um sopro de vida. Lento, suave e aconchegante.



 Escrito por gustavo calenzani às 17h33 [   ] [ envie esta mensagem ]




do nada

Por que você não vai tomar meia hora de cu? O que, que isso cara? É isso mesmo que você ouviu, por que você não vai tomar meia hora de cu? Mas o que eu fiz cara, o que você ta falando. O primeiro fica normal, acende um cigarro e diz, nada não, só queria ver sua reação...

 



 Escrito por gustavo calenzani às 13h39 [   ] [ envie esta mensagem ]





 
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